Banco, corretor, imobiliária e advogado: qual é o papel de cada um?

Muita gente participa da mesma compra, e nem todos analisam a mesma coisa. O que cada profissional faz, o que não faz, e por que confundir as funções cria pontos cegos.
Composição de quatro cenas: um corretor apresentando um imóvel e três profissionais analisando documentos em seus escritórios

Uma compra de imóvel pode parecer confusa justamente porque muitos profissionais participam da mesma operação. Corretor, imobiliária, banco, cartório e advogado podem aparecer ao longo do caminho. O comprador, então, pode se perguntar:

“Se tanta gente está envolvida, quem faz o quê?”

Compreender essas funções evita duas conclusões equivocadas. A primeira é achar que determinado profissional deveria realizar uma função que não faz parte de sua atuação. A segunda é acreditar que uma etapa já foi analisada apenas porque existe outro profissional participando da operação.

Qual é o papel do corretor?

O corretor exerce função importante na intermediação imobiliária. Ele ajuda comprador e vendedor a se aproximarem, participa das tratativas e contribui para que a negociação avance. Pode atuar em questões comerciais relacionadas a:

  • apresentação do imóvel
  • comunicação entre as partes
  • proposta
  • negociação de preço e condições
  • andamento comercial do negócio

Seu papel é relevante. Mas a intermediação comercial não deve ser automaticamente confundida com uma análise jurídica independente da operação.

Qual é o papel da imobiliária?

A imobiliária pode atuar na organização e condução da negociação. Dependendo da estrutura, pode:

  • reunir informações
  • solicitar documentos
  • organizar etapas
  • facilitar comunicação
  • apresentar minutas ou procedimentos utilizados na operação

A existência de uma imobiliária pode trazer organização ao processo. Ainda assim, isso não significa necessariamente que o comprador tenha um profissional jurídico atuando exclusivamente sob seu interesse.

Qual é o papel do banco?

Quando existe financiamento, a instituição financeira assume importância central. Ela realiza análises e procedimentos relacionados à concessão do crédito e à operação financiada. O banco possui seus próprios critérios e objetivos.

Por isso, a aprovação de um financiamento não deve ser automaticamente interpretada como uma análise jurídica integral realizada exclusivamente em favor do comprador.

E o cartório?

O cartório possui atribuições essenciais dentro da formalização e registro das operações imobiliárias. Dependendo da etapa, podem participar tabelionato e registro de imóveis. Mas sua função também é diferente da assessoria jurídica particular de uma das partes.

Qual é o papel do advogado do comprador?

O advogado do comprador analisa juridicamente a operação sob a perspectiva de quem está adquirindo o patrimônio. Dependendo do serviço contratado, sua atuação pode envolver:

  • análise registral
  • documentos do imóvel
  • vendedores
  • certidões
  • riscos
  • contrato
  • condições da aquisição
  • acompanhamento jurídico da negociação

É uma função diferente das anteriores.

Então um profissional substitui o outro?

Não. A lógica não deveria ser essa. O corretor não precisa ser tratado como substituto do advogado. O advogado também não substitui a função do corretor. O banco não substitui o cartório. Cada um participa da operação com atribuições diferentes.

Por que existe tanta confusão?

Porque, para o comprador, todos parecem estar “cuidando da compra”. Mas “cuidar da compra” pode significar coisas muito diferentes. Uma pessoa pode estar cuidando da intermediação. Outra, do financiamento. Outra, da formalização. Outra, da análise jurídica.

Compreender essas diferenças permite que o comprador saiba qual profissional está olhando para qual parte da operação.

Conclusão

Uma aquisição imobiliária é formada por várias etapas. Por isso, vários profissionais podem participar. O mais importante é evitar a expectativa de que todos estejam realizando o mesmo tipo de análise.

Corretor, imobiliária, banco, cartório e advogado possuem funções próprias. Quando o comprador compreende isso, passa a conseguir avaliar com mais clareza se existe alguma dimensão da operação que ainda precisa de atenção.


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