Aprovação do financiamento significa que o imóvel está seguro?

O banco analisa a operação segundo os critérios dele, não os seus. O que a aprovação do crédito responde, o que ela não responde, e o que continua sendo do comprador.
Homem sorrindo ao ler um documento com selo de aprovação, sentado à mesa com contrato e fotos do imóvel

Quando um banco aprova o financiamento para compra de um imóvel, é natural que o comprador sinta alívio. Afinal, a instituição analisou documentos, avaliou a operação e decidiu conceder o crédito. Surge então uma conclusão comum:

“Se o banco aprovou, significa que está tudo certo com o imóvel.”

Mas será que a aprovação do financiamento representa uma análise completa da compra sob a perspectiva do comprador? Não necessariamente.

O banco possui uma finalidade própria

Uma instituição financeira analisa a operação segundo seus critérios e interesses relacionados ao financiamento. Seu objetivo está ligado à concessão do crédito e às garantias da operação.

Isso é importante. Mas não significa necessariamente que todas as questões jurídicas relevantes para o comprador tenham sido analisadas com a mesma finalidade.

O comprador possui interesses próprios

O comprador pode ter preocupações que não são exatamente iguais às da instituição financeira. Por exemplo:

  • condições específicas do contrato
  • responsabilidades assumidas
  • prazos
  • características particulares dos vendedores
  • riscos relacionados à utilização futura
  • determinadas particularidades da operação
  • forma como determinadas obrigações foram distribuídas

A análise do comprador precisa considerar aquilo que aquela aquisição representa para ele.

O financiamento não elimina a necessidade de compreender a documentação

Mesmo quando existe banco, o comprador continua participando de uma operação imobiliária. Existe um imóvel. Existem vendedores. Existem documentos. Existe contrato. Existem pagamentos e responsabilidades.

Por isso, o comprador não deveria simplesmente deixar de compreender essas questões porque existe financiamento.

O banco e o advogado analisam a mesma coisa?

Não necessariamente. A instituição financeira realiza suas verificações segundo sua finalidade. Uma assessoria jurídica independente possui outro objeto: analisar a operação sob o interesse específico do comprador.

Não se trata de dizer que uma análise é melhor que a outra. Elas atendem a perspectivas distintas.

E se o banco encontrar um problema?

A instituição pode solicitar documentos, esclarecimentos ou providências de acordo com seus procedimentos. Mas a ausência de exigências do banco não significa automaticamente que não exista nenhum ponto que o comprador deva compreender.

Contrato e negociação continuam importantes

Mesmo em compra financiada, existem condições entre comprador e vendedor. Podem existir:

  • sinal
  • entrada
  • prazos
  • condições para liberação de recursos
  • entrega do imóvel
  • responsabilidades
  • consequências de atrasos
  • outras obrigações

Esses pontos precisam ser compreendidos dentro da operação.

O financiamento aprovado é um bom sinal?

A aprovação é uma etapa importante para quem depende do crédito. Mas deve ser interpretada dentro de seus limites. Ela responde principalmente à pergunta “a instituição está disposta a financiar essa operação segundo seus critérios?”.

Não necessariamente à pergunta mais ampla: “todos os riscos jurídicos relevantes para mim, comprador, foram analisados?”

Conclusão

A aprovação do financiamento é importante, mas não deveria ser utilizada como sinônimo de segurança jurídica integral. O banco possui seus próprios critérios e finalidade. O comprador possui seus próprios interesses.

Por isso, a existência de financiamento não elimina a necessidade de compreender o imóvel, os vendedores, os documentos, o contrato e as condições da operação. A questão não é desconfiar do banco. É apenas reconhecer que funções diferentes produzem análises diferentes.


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