Quando contratar advogado para compra de imóvel?

Imóvel escolhido, proposta aceita, sinal pedido, documentos recebidos, minuta enviada: os marcos em que a análise jurídica deixa de ser abstrata e passa a mudar as alternativas disponíveis.
Duas pessoas em reunião conferindo um contrato, com planta baixa e mapa do terreno sobre a mesa

Uma dúvida comum entre compradores é saber em qual momento a participação de um advogado pode ser útil durante a compra de um imóvel.

Alguns procuram orientação apenas quando surge um problema. Outros recebem o contrato pronto e procuram alguém para revisar a minuta. Também existem compradores que preferem uma análise antes de assumir obrigações mais relevantes.

Não existe um único momento aplicável a todas as operações. Mas existe um princípio importante: quanto mais concreta estiver a compra, maior tende a ser a utilidade de compreender juridicamente a operação antes de assumir novas obrigações.

Quando o imóvel já foi escolhido

Enquanto a pessoa ainda está apenas pesquisando imóveis, a necessidade costuma ser mais genérica. Quando um imóvel específico é escolhido, a situação muda. Agora existem:

  • um bem definido
  • vendedores definidos
  • preço
  • condições
  • documentação
  • possíveis prazos

A análise deixa de ser abstrata.

Quando a proposta foi aceita

A proposta aceita é outro marco importante. A partir desse momento, o negócio tende a avançar rapidamente. Podem surgir pedidos de sinal, envio de documentos e preparação da minuta. É um momento em que o comprador começa a sair da fase de interesse e entrar na fase de compromisso.

Quando pediram o sinal

Esse costuma ser um dos momentos de maior urgência. O comprador pode pensar:

“Se eu não pagar, vou perder o imóvel.”

A questão não é afirmar que o sinal nunca deve ser pago. É compreender quais obrigações estão sendo assumidas e quais condições foram estabelecidas antes de realizar um pagamento relevante.

Quando chegaram os documentos

Outro momento comum é quando o comprador recebe matrícula, certidões, documentos dos vendedores e outros documentos da operação. A quantidade de arquivos pode gerar a impressão de que tudo já foi verificado. Mas receber documentos é diferente de interpretá-los.

Quando a minuta do contrato foi enviada

Muitas pessoas procuram um advogado nessa fase. É uma etapa importante porque o contrato estabelece direitos, obrigações, prazos, pagamentos, responsabilidades e outras condições da operação.

Mas há um detalhe: analisar apenas a minuta pode ser insuficiente dependendo do caso. O contrato faz parte de uma operação maior.

Quando existe alguma particularidade

A participação jurídica também tende a ganhar importância quando a compra envolve situações como:

  • inventário
  • procuração
  • vários proprietários
  • usufruto
  • pessoa jurídica
  • imóvel ocupado
  • divergências documentais
  • construção não averbada
  • gravames
  • pagamento parcelado diretamente ao vendedor

Quanto mais particularidades existirem, maior pode ser a necessidade de compreender como elas afetam a aquisição.

Quando apareceu alguma informação inesperada

Também é comum o comprador procurar orientação depois de ouvir algo como:

“O imóvel tem uma pendência.”
“O vendedor está em inventário.”
“A construção não está averbada.”
“Existe um processo.”
“Tem um usufruto.”

Informações assim não significam necessariamente que a compra deve ser abandonada. Mas precisam ser interpretadas.

O advogado precisa entrar apenas quando existe problema?

Não. A atuação preventiva possui uma lógica diferente. Em vez de tentar resolver uma dificuldade depois da compra, a análise ocorre enquanto ainda existe oportunidade de compreender, ajustar ou negociar determinadas condições.

O objetivo é impedir a compra?

Também não deveria ser. Uma análise jurídica adequada não parte da premissa de que o negócio deve ser cancelado. O objetivo é identificar riscos, avaliar sua relevância e explicar quais cuidados podem ser necessários. Nem todo risco impede uma compra.

Due diligence ou acompanhamento completo?

Existem níveis diferentes de atuação. Em alguns casos, o comprador deseja uma análise da operação e pretende conduzir sozinho os próximos passos. Em outros, prefere acompanhamento jurídico também durante negociação, contrato e formalização. São necessidades diferentes.

Conclusão

Um bom momento para considerar uma análise jurídica é quando a aquisição deixa de ser hipotética e passa a envolver um imóvel específico e obrigações concretas.

Imóvel escolhido, proposta aceita, sinal, documentação e contrato são marcos importantes. Quanto antes os pontos relevantes forem compreendidos, maior tende a ser a possibilidade de estruturar a operação antes da conclusão.


Veja também como funciona a due diligence antes da compra.